Clorador salino vs cloro granulado: o que muda na conta
A discussão costuma girar em torno de “qual é melhor”. A pergunta útil é outra: onde cada um coloca o custo, e o que cada um deixa acumulado na água.
Os dois produzem o mesmo cloro
Isso precisa ficar claro antes de tudo. O clorador salino não é uma alternativa ao cloro: ele fabrica cloro, por eletrólise do sal, dentro da própria tubulação. A água tratada tem o mesmo hipoclorito que a dosagem manual produz.
Quem tem clorador salino tem piscina de cloro.
O que o clorador precisa produzir
A conta de dimensionamento é direta:
produção (g/h) = demanda diária × volume ÷ horas de filtragem
Numa piscina de 38 m³ com a demanda de referência, são 42,6 g de cloro por dia. Distribuídos nas horas de filtragem:
- 4 horas: 10,6 g/h
- 6 horas: 7,1 g/h
- 8 horas: 5,3 g/h
- 12 horas: 3,5 g/h
Repare no que isso significa: filtrar menos exige um clorador maior. A demanda diária é a mesma; o que muda é em quanto tempo ela precisa ser produzida.
Onde está o custo de cada rota
Cloro granulado: custo baixo de entrada, custo recorrente de produto. Uma piscina de 38 m³ consome cerca de 1,96 kg de hipoclorito de cálcio por mês.
Clorador salino: custo alto de entrada — equipamento mais a carga inicial de sal, que para 38 m³ são 133 kg — e custo recorrente baixo. O sal não é consumido; só sai com a água.
Mas há um item que quase ninguém coloca na conta: a célula. Ela tem vida útil contada em horas de operação e é a peça cara da reposição. Uma comparação de cinco anos que ignore a troca de célula é uma comparação enviesada.
O que se acumula na água
Aqui está a diferença que ninguém sente no primeiro ano.
Cloro estabilizado (dicloro, tricloro) acumula ácido cianúrico. Passando de 100 ppm, o cloro fica lento e a correção é troca de água.
Clorador salino acumula sal, por definição — e é isso que se quer. Mas a água salgada também eleva o TDS, e piscina salina continua precisando de estabilizador para o cloro não se degradar ao sol.
Hipoclorito de cálcio não traz estabilizador, mas traz cálcio: cada dose sobe um pouco a dureza. Em água já dura, isso importa ao longo das temporadas.
Nenhuma rota é neutra. Todas deixam alguma coisa para trás.
O que decide na prática
Conveniência. O clorador dosa sozinho, todo dia, sem ninguém. Para quem viaja ou tem rotina apertada, isso vale mais que a planilha.
Sensação da água. Água salina a 3,5 g/L é bem menos salgada que a do mar e muita gente prefere o toque.
Manutenção. Clorador tem célula para limpar, salinidade para acompanhar e eletrônica exposta ao tempo. Cloro granulado tem um balde e uma colher.